Quilombo Brasil

O Quilombo dos Palmares, cujo líder inicialmente era Ganga Zumba, é um exemplo de comunidade que resistiu por anos. Ele foi fruto do longo processo de escravidão e serviu de refúgio para os negros que escapavam dos engenhos. Estava localizado em uma região cheia de palmeiras, na Capitania de Pernambuco. Atualmente, a região faz parte da cidade de União dos Palmares, em Alagoas.

Ele era dividido em povoados, sendo os maiores e famosos o de Zumbi; o Macaco, que era uma espécie de sede do poder político; o de Subupira, onde se concentravam as atividades militares; e o de Taboca, por exemplo. Os quilombos eram formados por habitantes de todos os tipos, dentre eles estavam mulatos, índios, negros libertos e até brancos livres. Não se sabe ao certo, a quantidade exata de habitantes, mas estudiosos afirmam que em 1670, sua população chegou aproximadamente a 20 mil pessoas.

Luta no Quilombo

O quilombo foi atacado em 1677, pelo bandeirante Fernão Carrilho, levando vários prisioneiros, inclusive dois filhos do líder. Ganga Zumba tentou fazer um acordo de paz com o governador da capitania. O acordo era o de que para que o quilombo continuasse existindo, o líder não deveria receber mais negros e deveria transferí-lo para outra região. Muitos quilombolas não concordaram, incluindo Zumbi e, quando a guerra explodiu, Ganga foi envenenado. Seu sobrinho Zumbi dos Palmares, o substituiu como líder. Ele era um estrategista, e por isso, elaborava planos para soltar os escravos nos engenhos e também atacava os europeus roubando-lhes as armas. Com a mão de obra tornando-se cada vez mais escassa, os portugueses não viam outra alternativa se não, destruí-los. A população deste quilombo lutou por vários anos contra os portugueses.

Fim do Quilombo dos Palmares

Várias tentativas sem sucesso foram realizadas para destruir o Quilombo dos Palmares completamente. Mas somente tiveram resultado quando o dono da Capitania, Caetano de Melo e Castro, contratou o bandeirante Domingos Jorge Velho e o capitão-mor Bernardo Viera de Melo. No início tiveram dificuldades para destruí-los, mas acabaram com o quilombo em fevereiro de 1694, e Zumbi, mesmo ferido, conseguiu fugir.

Após um ano, um ex escravo quilombola foi aprisionado e, caso ele passasse informações sobre Zumbi, ganharia em troca a sua liberdade. Acreditando nisso, revelou o esconderijo do líder, que foi morto numa emboscada. Sua cabeça foi cortada e exposta em praça pública, em Recife, como um aviso, para que nenhum outro escravo tentasse fazer o mesmo.

Zumbi foi morto em 20 de Novembro de 1695, e em sua homenagem, a data foi escolhida para a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra.

Comunidades Quilombolas

Antes da criação dos quilombos, os negros não tinham liberdade para praticar sua cultura e além disso, sofriam maus-tratos. No início da colonização, quem atendia os interesses da Coroa, eram os indígenas, que trabalhavam apenas em troca de recursos naturais e objetos. Mas os índios começaram a se rebelar e umas da opções era substituí-los pela mão de obra negra.

Como os negros já eram explorados e trabalhavam com o cultivo de cana-de-açúcar nas ilhas de domínio português, no Atlântico, tornava-se vantajoso e barato se beneficiar dessa mão de obra. Muitos escravos para evitar essa dominação, se rebelavam e fugiam. Alguns eram capturados pelos capitães do mato e eram castigados com chicotadas. Os que se livravam dessa perseguição conseguiam formar comunidades quilombolas. Geralmente, eles formavam hierarquias, nas áreas política, militar, social e econômica e seus moradores eram conhecidos como quilombolas.

As comunidades quilombolas eram sociedades criadas de forma clandestina, para abrigar refugiados. Nesses locais, podiam praticar sua cultura e serem livres. Os primeiros quilombos foram criados por negros da Angola, que fugiam das capitanias da Bahia e Pernambuco. Eles se abrigavam em locais seguros, de difícil acesso, na capitania de Pernambuco, normalmente em regiões com montanhas e nela formavam comunidades.

Os Quilombos Estão Extintos?

Os quilombos não foram completamente extintos, mas ainda existem e estão em várias partes dos estados brasileiros e até mesmo fora do Brasil, em países como a Colômbia e o Suriname. Eles são conhecidos atualmente como comunidades remanescentes de quilombos.

Com a redemocratização brasileira, a Constituição Federal de 1988 assegurou um direito básico para essas comunidades, sendo que seus costumes e identidade deveriam ser preservados e também seriam proprietários de sua própria terra. Seus habitantes são os descendentes de negros escravos que resistiram durante a escravidão no Brasil e pode-se dizer que cada uma é diferente da outra, pois adquiriram técnicas próprias para sobreviver. De acordo com o Incra, estima-se que existam mais de 3 mil quilombos no Brasil.

Por meio de decreto, lançado em 2003, o Incra é o órgão responsável pela titulação desses territórios, em âmbito federal.